O segredo da investigação é o método.

"O segredo da investigação é o método"

Esta é uma afirmação feita por José Rodrigues dos Santos, jornalista, escritor e professor universitário, em entrevista dada, esta semana à revista Notícias Sábado.


E prossegue: " quando estamos a fazer uma investigação, muitas vezes estamos à procura de alguma coisa. No acto de procurar uma coisa encontramos outra. Eu sou a única pessoa que pode avaliar se essa coisa é pertinente."


As etapas de um processo de investigação, podem conduzir-nos a caminhos diferentes daqueles que tinhamos antecipado e levar-nos até a reavaliar todo o processo desenvolvido até ali.

As etapas de um processo de investigação por vezes, sobrepõe-se umas às outras, misturam-se, fluidificam-se e obrigam-nos a rever posições.



domingo, 18 de dezembro de 2011

Recursos Educativos Abertos Online

Seleção de dois Recursos Educativos Abertos Online
 

1º Recurso Educativo aberto

O primeiro REA é retirado do site Associação Ensino Livre ligado ao conceito de escolas livres ou seja, escolas que utilizam software livre, o que quer dizer sem custos e devidamente licenciado, e faz parte de um repositório de simulações interativas de física, biologia, ciências da terra e matemática, promovido pela Universidade do Colorado, com a designação  PhET (do inglês, Physics Education Technology)

Pode ser consultado em:


 

Ou clicando diretamente no link abaixo:

Kit de Construção de Circuitos AC/DC (Circuit Construction Kit AC+DC)



Critérios de escolha Gerais

 

·         A Associação Ensino Livre é uma associação Portuguesa que se dedica à divulgação de software livre e conteúdos livres o que permite que as escolas portuguesas, professores, alunos e outros agentes educativos, possam utilizar, gratuitamente e devidamente licenciados, estes bens, a maioria traduzidos para Português( embora seja Português do Brasil) e não o estando, oferece a possibilidade de o solicitarmos através de um formulário.

·         A associação disponibiliza ainda aconselhamento sobre os recursos fornecidos, faz desenvolvimento dos mesmos, promove ações pedagógicos juntos dos interessados e organiza encontros e conferências.

·         Este tipo de dinâmica permite às escolas poupar dinheiro que evidentemente é sempre pouco e pode ser canalizado para outras necessidades e potencia benefícios para alunos e professores tornando a aprendizagem mais apelativa.   

  

Critérios de escolha Específicos



·         O recurso está em Português

·         O recurso tem qualidade

·         É apelativo em termos gráficos e de imagem

·         Permite a interatividade

·         Permite várias formas de simulação, esquemática e real

·         Permite ligar a teoria e a prática o que considero extremamente importante pois ao simular uma situação real pode-se antever as dificuldades com que nos iremos defrontar e resolvê-las mais facilmente

·         Evita danificar material na prática porque o aluno pode experimentar por tentativa e erro sem queimar nada e sem risco de sofrer danos ele mesmo

·         É seguro, isto é, não tem risco para o aluno e não necessita da supervisão constante do professor.




 Para melhor ilustrar mais algumas possibilidades deste repositório segue-se um excerto copiado da página da própria associação ensino livre e que permite aceder a outros conteúdos que não o que selecionei :

PhET - simulações interactivas sobre física, biologia, ciências da terra e matemática


·         Biologia

·         Ciências da Terra

·         Física

·         Matemática



Da área da Física e mais especificamente da Eletricidade, também copiada do site da associação:

Nada melhor do que explorar para descobrir as simulações mais interessantes para si. A imagem seguinte é uma captura de ecrã do programa de construção de circuitos disponível no PhET, que ilustra o tipo de actividades que poderá encontrar.



As aplicações presentes no repositório estão disponíveis em Java e Flash sendo que o código-fonte é todo ele publicado mediante uma licença de software livre, neste caso a habitual GPL. Existem ainda no sítio do PhET diversas actividades pensadas para as simulações, partilhadas por diversos professores (em inglês). Os níveis de dificuldade atravessam todos os graus de ensino.

Disponíveis em Português (do Brasil)





Planificação

Destinatários

Alunos do Curso de Educação e Formação de Jovens -  Eletromecânico de refrigeração e Climatização- Nível II

Objetivos

·         Pretende-se que os alunos aprendam:
 
·         Conceitos Básicos sobre circuitos elétricos

·         A Lei de Ohm.



Competências

Espera-se que os alunos no final desta experimentação interativa adquiram os conhecimentos necessários e fiquem aptos a:

·         Montar um circuito elétrico simples

·         Fazer medições de intensidade de corrente inserindo adequadamente o aparelho de medida no circuito (amperímetro)

·         Fazer medições de tensão inserindo adequadamente o aparelho de medida no circuito (Voltímetro)
 

 Conteúdos

·         Noção de resistência

·         Noção de Diferença de potencial

·         Noção de Intensidade de corrente

·         Lei de Ohm

·         Direção da variação das grandezas envolvidas e sua interdependência




Metodologias

·         Trabalho a pares

·         Trabalho individual


Avaliação

·         - Observação direta pelo professor da montagem de um circuito simples na prática.

·         - Webquizz
 

Duração

·         3 tempos letivos de 45 minutos divididos em um bloco de 90 minutos para a simulação e conclusões e em de 45 minutos para montar em contexto real.  
 

Adaptações a fazer:

Nenhuma, o recurso é suficientemente completo e apelativo.



2º Recurso Educativo aberto


Critérios de escolha Gerais e Específicos



Este  REA está dentro do site abaixo indicado que foi um site construí do por mim, para a unidade curricular de Sistemas de Informação e Internet, pelo que decidi aproveitar este recurso que elaborei com outros objetivos, fazendo uma reutilização do mesmo em outro contexto e com uma finalidade diferente da inicialmente pensada; trata-se do conteúdo identificado como exercício-formativo 3-b e que foi de fato utilizado no terreno, com uma turma de alunos do ensino noturno de Eletricistas de Instalações estando de acordo com o currículo do curso, reconhecido pela ANQ.



ou



Planificação

Destinatários

Alunos do Curso Noturno de Educação e Formação de Adultos de Eletricista de Instalações- Nível II

Objetivos

Pretende-se que os alunos aprendam a:

·          Instalar um motor trifásico com inversor de marcha

·          Saibam utilizar como orientação os esquemas de comando e de potência fornecidos

·          Selecionem o material e as ferramentas apropriadas

·          Após a montagem e cuidadosa verificação de todas as ligações procedam ao ensaio na presença do professor.



Competências

Espera-se que os alunos no final deste trabalho adquiram os conhecimentos necessários e fiquem aptos a:

·         instalar motores trifásicos com inversor de marcha a partir dos esquemas elétricos adequados.

·         selecionar o material e as ferramentas apropriadosanalisar se cada componente está ou não corretamente montado-exercer o espírito crítico sobre o funcionamento da instalação, avalia-la no seu todo e detetar avarias se e quando ocorrerem.



 Conteúdos

·         Automatismos

·         Sistemas de potência

·         sistemas de comando

·         Lei de joule

·         Trabalho e energia



Metodologias

- trabalho de grupo

Avaliação

·          Observação pelo professor do ensaio do motor

·          Questionamento sobre os procedimentos

·          Relatório sobre todas as fases da montagem e dificuldades sentidas.



Duração

3 blocos de 90 minutos


Adaptações a fazer:

De fato utilizaria uma abordagem mais centrada nos alunos

·         Acrescentaria uma simulação prévia da montagem, se possível, porque pouparia tempo e diminuiria o risco de que os alunos pudessem danificar o material por uso menos correto ou ligações mal feitas.

·         Solicitaria que os alunos fotografassem ou filmassem a instalação do motor trifásico com inversão de marcha e que colocassem online, por exemplo

·         Poderia também solicitar que gravassem um ficheiro de áudio ou de vídeo a contar como se tinha desenvolvido o trabalho e como tinham ultrapassado os problemas que foram surgindo ao longo da montagem.





segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Reflexão Pessoal Sobre as Potencialidades e os Desafios dos Recursos educativos abertos

Este post beneficiou da leitura dos posts dos colegas, já publicados e evidentemente de todos os recursos disponibilizados amavelmente pelo professor José Mota, para além de algumas deambulações próprias.

O livro dos recursos educativos abertos da wikieducator afirma que (tradução nossa)“…os REA são apenas uma parte das mudanças que se estão a processar rapidamente na educação aberta”.

De uma maneira geral, as mudanças na educação, quer seja considerada aberta ou não, passam sempre por mudanças no papel dos professores; Andy Hargreaves (1998) comenta essas mudanças salientando as grandes alterações no papel dos professores ao longo dos últimos anos, nomeadamente a nível da natureza e exigência das tarefas. Do mesmo modo que Hargreaves, nos questionamos se as mudanças que têm vindo a acontecer, estão a contribuir para melhorar ou piorar o ensino.

Parece-nos óbvio que, no que diz respeito aos professores, a mudança representa sempre um esforço acrescido de atualização e também no que toca aos recursos educativos abertos isso se passa, não sendo só ganhos a contabilizar, embora, indiscutivelmente eles existam.

É de facto maravilhoso que possamos aceder, sem grandes constrangimentos, a recursos educativos usando-os e reusando, adaptando-os se necessário e possível, de modo a tornar a nossa prática letiva, mais apelativa para os nossos alunos. Será igualmente maravilhoso como aluna, poder encontrar informação do meu interesse, usa-la, combina-la, remistura-la como entender, de acordo, é claro, com as normas do licenciamento estabelecido. Contudo, será que todas estas vantagens são realmente aproveitadas para melhorar o ensino aprendizagem e os estudantes tiram verdadeiro proveito delas, alargando horizontes, ampliando conceitos, partilhando experiências, de modo a aumentar os seus conhecimentos? Estamos em crer que sim pois estas facilidades mesmo sem serem usadas por todos, já fazem parte da vida de uma grande maioria, inovando e trazendo alterações significativas, a modos de fazer, pré estabelecidos.

Downes é de opinião que “ Supporting OERs is not simply about supporting the production of open educational resources, it's about integrating these into the metabolism of the organization” Familiarizarmo-nos com os REA ao ponto de os usarmos, criarmos, reutilizarmos de forma repetida, até fazerem parte integrante dos nossos hábitos quotidianos, até que exclusivamente pela sua utilização sistemática se empreguem novas formas de ensinar e aprender e se transformem definitivamente as práticas educativas! Em nosso entender, o autor está apenas a usar uma regra básica de senso comum: como é que aprendemos alguma coisa e nos tornamos peritos nela? Pela repetição! Como exemplo, podemos todos pensar sobre como é que aprendemos a andar de patins ou de bicicleta.

As potencialidades dos REA são indissociáveis das suas características as quais são tão variadas quanto a diversidade de recursos educativos abertos que existem: software, podcasts, vídeos, imagens, etc..

Para Stephen Downes: “The purpose of an open educational resource is not merely to transfer information, it is to stimulate this creative production in the recipient. Teachers and educational leaders should regard themselves not merely as passive transferers of received content to students, but instead as agents provocateurs.”Surge corroborado aqui, aquilo que já foi acima dito, sobre a mudança do papel do professor; espera-se que ele aja como agente provocador e que estimule a criatividade dos estudantes, mas o autor vai mais longe, preconizando para os estudantes também uma alteração de papeis; uma que os faça criar os recursos pelos quais desejam aprender, tomando a dianteira do seu percurso de aprendizagem. Na realidade Downes advoga que estudantes e professores devem eles próprios produzir os seus recursos educativos abertos, delineando a educação que desejam e simultaneamente oferecendo-a aos outros. Desta maneira não haveria necessidade de preocupações com a sustentabilidade dos REA nem de estarem entregues maioritariamente às universidades! Porém, perguntamo-nos sobre se os interessados terão, a todo o momento, suficiente visão para selecionar o “melhor” tipo de educação e caso a resposta se prove afirmativa, o que faremos com, por exemplo, os designers instrucionais, os teóricos da educação e principalmente os políticos que tanto gostam de definir as linhas gerais da educação? Sem fazer muita futurologia, adivinhamos mais desemprego! Além disso, isto extingue a possibilidade de criar recursos educativos abertos ideais, exposta por David Wiley, pois aumenta a probabilidade de opiniões divergentes, dado que todos os intervenientes são consumidores e produtores, apesar de ele mesmo, considerar que o significado do termo é tão amplo quanto a diversidade que caracteriza os REA.

Por sua vez, o livro de bolso dos recursos educativos, relativamente aos desafios que se colocam, chama a atenção para a questão da sustentabilidade a qual configura uma situação que julgamos relacionar-se com os incentivos para criar, usar, reusar e adaptar os REA: para criar recursos educativos de qualidade impõe-se que existam recursos tecnológicos adequados e competências científicas e técnicas apropriadas e aí, o papel das universidades e instituições educativas aparece como crucial. Não significa isto que não haja espaço para se criar REA individualmente, apenas os meios poderão ser mais escassos e os resultados menos bons e para quem utiliza ou até adapta, a qualidade é algo decididamente a considerar. Outro aspeto relevante para a sustentabilidade dos REA, de acordo com a mesma fonte, é o financiamento, pois até à data, a informação disponibilizada, aponta para que os custos de criação e manutenção, estejam a ser suportados por fundações ou instituições universitárias que têm interesses subjacentes, por exemplo, na promoção da sua imagem e dos seus académicos. Encontrar formas de financiar a criação e manutenção de repositórios é um contributo importante para a vida dos REA.

Em resumo, a questão da vida dos recursos educativos abertos e/ou dos repositórios de recursos educativos abertos não é fácil de equacionar devido a toda e sua extensão e dimensões que abarca. Estão em causa coisas tão importantes como os seus efeitos no desenvolvimento e avanço da sociedade, a qualidade, a fiabilidade, quem os produz, como e com que recursos, onde se alojam, como estão licenciados, etc..


Referências:

Gurell, Seth (autor) & Wiley, David (editor) (2008). OER Handbook for Educators 1.0. [http://wikieducator.org/OER_Handbook/educator_version_one]
Hargreaves, A. (1998) Os professores em Tempos de Mudança. Alfragide: McGraw_Hill
Downes, Stephen (10-2010). Agents Provocateurs. Stephen's Web. [http://www.downes.ca/post/54026] Wiley, David (27-09-2011).
 On OER – Beyond Definitions. Iterating toward openness. [http://opencontent.org/blog/archives/2015].

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Reflexão Final

Após um período de alguma insegurança e suficientes dúvidas, compreendi que o caminho se faz caminhando, embora quando se encontra devidamente assinalado com "tabuletas" que fornecem indicações claras, ou autoridades que possam prover orientações, facilite bastante!

Para que a pouco e pouco, se obtenha maior autonomia, é necessário investir muito tempo e paciência nestas "lides", tentando usar de tolerância com os nossos (meus) modos desajeitados de criança que mal começou a andar e já tem ânsias de correr. Mas não há como apressar as coisas, antes de solidificar, comprender a aprofundar novos conteúdos; há um tempo certo para cada coisa e cada um de nós.

Agradeço aos meus companheiros de percurso, pois de mil maneiras diferentes, todos foram de suma e altíssima importância e ao nosso professor/orientador que gentilmente aplanou muito do caminho, apontando direcções, fornecendo preciosas informações e disponibilizando generosas indicações.

E posso dizer com satisfação que o contrato de aprendizagem já não me parece estrangeiro e sim totalmente perceptível e que penso que de facto me familiarizei com "os procedimentos metodológicos que norteiam e permitem a realização de uma investigação no campo da Educação" e que adquiri as competências necessárias para a pôr em prática (veremos) ainda que saiba que podemos sempre, fazer mais e melhor e que muito poderia ainda ser lido, dito, debatido, comentado e apreendido!